Etimologia da Palavra "Carro"
É interessante como as línguas podem se desenvolver, especialmente
quando milhares de quilômetros e décadas ou séculos são impostos. Por
exemplo, no caso do português, palavras ou expressões vistas como
arcaicas pelos portugueses constituem o cotidiano dos
brasileiros
No caso do francês, esses desenvolvimentos linguísticos não foram
diferentes. Em Montreal
"Char"? Os canadenses utilizam uma palavra que lembra charrete, não? Realmente, parece arcaico.
Mas, em inglês, não seria "car"? Pois é, aí que está a chave da etimologia dessa palavra.
Para começar, a nossa "charrete" é basicamente a palavra francesa
"charrette", que
nada mais é que um "char" menor, mais leve e mais rápido. E
"char" veio do latim
(vulgar) "carra", "carrum" ou "carrus". E estes eram a denominação dada
a um veículo celta de duas rodas usado em guerra. Estes últimos, a seus
turnos, se originam da palavra gaulesa "karros"
"kers-" é supostamente a raiz que deu origem ao grego "-khouros" e ao latino "currere", o qual foi ainda mais reforçado pela invasão francesa (normanda) à Grã-Bretanha no século XI (1066) — que durou até 1485 e influenciou drasticamente a língua inglesa.
É isso então, descobrimos a origem arqueológica irrefutável da palavra "carro", que teve um caminho essencialmente idêntico e paralelo ao de "car" em inglês, e que, acredito eu, foi reforçada no cotidiano pelo imperialismo americano — e britânico — em relação à indústria automotiva.
Mas...
Não há mais nenhum falante de basicamente nenhuma das várias línguas mencionadas acima, então não é possível comprovar nada do que discutimos. Como latim, grego e derivados de protoindo-europeu ficaram por aí influenciando e sendo corrompidos constantemente durante séculos, talvez as origens estejam em outros lugares na verdade. No final, toda essa lógica não passa de achismo (muito) bem educado.
Se você quiser estudar mais sobre carros, sua história e seu o impacto socio-econômico, recomendo a leitura do livro icônico A Máquina que Mudou o Mundo, por James P. Womack.
Este artigo foi escrito com a contribuição de revisões e correções de Simão Gonçalves.